Sempre vamos depender de Deus

Publicado em 15/02/2021

“Sem mim vocês não podem fazer coisa alguma” João 15:5

Pais e mães sentem uma mistura de sentimentos quando seus filhos começam a não depender mais deles. Ficam com saudades de quando eram requisitados para tudo na infância ao mesmo tempo que ficam aliviados que os filhos não chamem eles toda hora por qualquer motivo. Sei que algumas famílias não são assim, mas isso demonstra apenas que há algum problema de maturidade e não que o caminho de crescimento é diferente. Se Deus quisesse que os filhos dependessem para sempre em tudo dos seus pais não diria para o homem e a mulher “deixarem seu pai e sua mãe”. Alguns olham esse versículo pelo lado dos filhos e filhas que saem de casa felizes para casar, mas eu também vejo esse versículo como Deus dizendo: pai e mãe, aproveitem!

Na vida as coisas geralmente são assim: precisamos investir muito nas pessoas no início até que estas ganhem maturidade e experiência para lidar sozinhas com desafios. Isso acontece no discipulado, na criação de filhos, no trabalho, na escola e etc. Preciso frisar que tal premissa não significa que as pessoas nunca mais precisarão de ajuda ou que não podem ou devem pedir auxílio. Isso também não significa que as pessoas estarão sozinhas depois de um tempo, mas que trabalharão juntas com mais eficiência.

Todavia, esse processo de crescimento e dependência com Deus é diferente. Nossa dependência de Deus não passa com a maturidade ou diminui com o tempo. Podemos até passar do leite espiritual para o alimento sólido, mas nossa necessidade da presença de Deus é contínua e aumenta.

Isso me leva a pensar em Deus não apenas como um conselheiro (embora essa seja uma das suas características - Is 11.2), mas também como alimento (Jo 6.51). Ele não é apenas Pai (Mt 6.9), mas também amigo (João 15.15). E se isso tudo não bastasse ele continua sendo Senhor.

Outra característica profunda de nosso relacionamento com Deus é encontrada em João 15, quando Jesus diz que ele é a Videira e o Pai o Lavrador. Se não estamos em Cristo não temos nada, mas se estamos nele, daremos muito fruto. Essa conexão da videira com seus ramos se dá pela seiva que corre dentro da árvore, ou seja, não é apenas um alimento que vem de fora para dentro, mas é a própria essência de Jesus que vem da nossa permanência em Cristo pelo cuidado do Pai, através do Espírito Santo.

Veja que a diferença aqui é grande. Não fala apenas de um pão do céu que eu preciso comer, mas de um alimento que flui em minha vida pelo permanecer em Cristo. No caso do pão preciso parar tudo e comer, já no caso da seiva, ela continua fluindo sem que eu pare de produzir fruto. Em seu clássico Cristianismo Puro e Simples, C.S. Lewis nos dá outro exemplo dessa dependência:

Um carro é feito para funcionar à base de gasolina, e ele não funcionaria com nenhum outro combustível. Agora, Deus designou a máquina humana para funcionar à base dele mesmo. Ele mesmo é o combustível que nosso espírito foi projetado para queimar, ou o alimento do qual nosso espírito foi designado para se alimentar. Não há outro.[1]

O erro de muitos é achar que permanecer em Cristo é ficar parado dentro de uma igreja. Jesus se compara a um pastor (Jo 10.3-4) que sai com suas ovelhas (até mesmo para buscar as perdidas), ou seja, ele está em movimento, e eu preciso estar atento a sua voz para caminhar em seu propósito. Para isso terei todos os dias a Palavra de Deus e a oração num sentido mais individual e a manifestação da Igreja com seus dons e ministérios num sentido amplo.

Quando trato esse ponto, não estou falando sobre a fé redentora na obra de Cristo na Cruz. Dessa não podemos mover um só milímetro. Mas sim do propósito de Deus para sua vida que é dinâmico e que envolve sua família, sua igreja, sua profissão, seus amigos e seus projetos. Para essas coisas posso afirmar: Você precisa depender cada dia mais de Deus e se mover com ele.

Num tempo onde tantos tem sido sustentados pela força do próprio braço que é finita, e pela própria sabedoria e conhecimento que são insuficientes, Deus revelará em público os filhos que continuam a depender apenas dele. Pelos frutos somos facilmente identificáveis.

Sempre vamos depender de Deus.

[1] LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2017. P. 83.

Pr. Jeferson Jones Bernardes Filho.

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