A importância da Páscoa

Publicado em 29/03/2021

    Ao redor do mundo existem vários feriados e comemorações, mas para os cristãos nada se compara a importância da Páscoa. Isso não é por acaso, já que nela comemoramos a obra redentora de Cristo que culminou em seu sacrifício na cruz e sua ressurreição. Um texto é pouquíssimo para mensurar todos os aspectos e impactos a obra de Cristo, mas nos esforçaremos para dar uma noção da maravilhosa notícia que Deus deu ao mundo escolhendo (de propósito) a data de comemoração de uma páscoa judaica há dois mil anos.

  1. Início da Páscoa

    Por falar em páscoa judaica, não há como aprender sobre essa comemoração sem falar de seu prelúdio lá no Egito quando os israelitas ainda eram escravos por mais de 400 anos. Páscoa vem da palavra hebraica “Pessach” (פסח), e significa “passagem”, “passar por cima” ou “passar sobre”. O significado explica tanto o que aconteceu com o povo de Israel que passou da escravidão para a liberdade, quanto ao que aconteceu na última praga enviada ao Egito, onde Deus (através de seu anjo) passava por cima da casa dos israelitas sem lhes causar mal, enquanto trazia morte aos primogênitos egípcios.

    Mas essa libertação deveria seguir passos específicos. O livro de Êxodo no capítulo 12 nos mostra que cada família deveria escolher um cordeiro (v. 3), sem defeito (v. 5), e este deveria ser sacrificado à tarde (v. 6). O sangue do cordeiro seria colocado nos umbrais das portas como sinal:

“Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.” Êxodo 12:23

    Os israelitas deveriam estar preparados (vestidos), e prontos para ir embora além de comer apressadamente (v. 11). Um comentário judaico (Mechilta) explica que o sangue foi passado do lado de dentro das portas nas casas israelitas, pois era um “sinal para vós” (v. 13) e não para os egípcios. Os alimentos comidos naquela noite eram o cordeiro assado, pães asmos e ervas amargas (v. 8).

    Sabemos o que aconteceu após isso. Os israelitas foram libertos, os egípcios despojados, e ali começou a peregrinação no deserto que terminou na conquista da terra prometida (Canaã).

    São tantos simbolismos aplicados nesse pequeno texto, que os mais experientes conseguem notar rapidamente as ligações com a obra redentora de Cristo.

    Cristo é o cordeiro de Deus (João 1.29). Ele não teve defeito (I Pe 2.22). Jesus morreu à tarde (Mc 15.34-37), e embora não tenhamos seu sangue aparente em nosso exterior, todo aquele que crê sabe que é completamente remido pelo sangue de Jesus.

    Até mesmo na forma da saída dos israelitas podemos ver símbolos que se aplicam em nossas vidas. Os israelitas estavam prontos para ir embora, assim como nós devemos entender que somos peregrinos (I Pe 2.11) e que um dia iremos para a “terra prometida”. Devemos estar vestidos (Ap 3.18), e mesmo que sejamos libertos pelo sangue do cordeiro na páscoa, ainda há um longo deserto (esta vida), onde dependeremos de Deus para chegar ao nosso verdadeiro destino.

  1. A consumação da Páscoa

    Dentro deste simbolismo, pularemos para séculos mais tarde, na cidade de Jerusalém, onde justamente na comemoração desta festa, Jesus daria o verdadeiro significado da páscoa para o mundo inteiro. Na quinta-feira à noite (sexta para os judeus), Jesus se reuniu com seus discípulos e tomando o pão disse: Esse é o meu corpo        ; e tomando o vinho disse: Esse é o meu sangue. Façam isso todas as vezes em que vos reunirem em memória de mim.

    As ervas amargas não foram mais utilizadas, pois toda dor e sofrimento seriam carregadas por Jesus. Restou apenas o símbolo do sangue do cordeiro e do pão sem fermento (sem pecado). A partir dali, nós, discípulos de Cristo espalhados pelo mundo passamos a vivenciar a ceia como sacramento e símbolo da nossa libertação. Toda vez que realizamos a comunhão, relembramos o cordeiro pascal.

    Mas como sabemos, a história não ficou só na parte simbólica. Naquela sexta-feira Cristo foi abandonado por seus discípulos. Foi preso, humilhado, torturado, julgado e condenado à morte na cruz. Nenhum dos presentes conseguia entender que quando Jesus disse na cruz “Está consumado”, não se referia apenas a sua sentença de morte, mas que naquela hora, ele havia “comprado para si homens de toda tribo, língua, povo e nação, lhes constituindo reis e sacerdotes para Deus” (Ap 5.9-10). Sua sentença de morte, foi nossa sentença de vida!

    Graças a Deus a história não terminou por aí. Naquele domingo, após um fim de semana de desespero e desesperança, pela manhã quando Maria Madalena e Maria foram ao sepulcro, encontram um anjo que lhes deu a boa nova “Ele não está aqui, porque já ressuscitou” (Mt 28.6).

    Cristo não está morto, ele vive! Isso muda tudo! Se estamos em Cristo, também “passamos” da morte para a vida. Isso é emocionante. Essa é a verdadeira Páscoa.

  1. Deturpação da Páscoa

    Como em tudo, sabemos que Satanás e o próprio mundo lutam para deturpar as coisas de Deus. E não aconteceu de forma diferente com a Páscoa, onde vários elementos foram adicionados ao longo dos séculos (ovo, coelho e etc.), sendo muitos deles resultados de sincretismo religioso, provenientes do paganismo.

    Historiadores retratam o surgimento do coelho como símbolo a partir de festividades praticadas anualmente pelos egípcios no início da primavera, que utilizavam o animal como representação de nascimento e nova vida. Já os ovos começaram a ser dados como presentes pelos persas e egípcios. Os primeiros acreditavam que a terra teria saído de um ovo gigante, e os egípcios costumavam tingir os ovos com cores da primava, acreditando que isso transmitiria boa sorte. Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos especificamente na Páscoa. Mais tarde, a própria Igreja Romana foi introduzindo outros elementos simbólicos que nada tinham a ver com as origens bíblicas da celebração da Páscoa (Ex: Velas, que passou a significar “Cristo, a luz dos povos”). Para concluir, os franceses começaram no séc. XVIII a fabricar os ovos de chocolate, tradição que vemos até os dias atuais.

    De forma triste, podemos ver que para muitos a páscoa se resume apenas em um feriado, um momento para ter lucro ou ganhar um ovo de chocolate. Se você perguntar a muitas crianças, é provável que até mesmo as de família cristã só lembrem apenas que na Páscoa seus pais lhe dão chocolate e que vê pessoas fantasiadas de coelho.

    Embora obviamente não haja nada de errado com o chocolate (aliás, Deus foi muito bom nos dando essa maravilha!), nem com o coelho ou com o ovo, não podemos ser inocentes para desprezar o poder dos símbolos e da guerra cultural que sempre houve entre os valores de Deus e os valores do mundo. Transformar o símbolo de nossa redenção em aspectos meramente econômicos e materiais destoa completamente da vontade de Deus.

  1. Restaurando a Páscoa

    Muitas pessoas perguntam como podem restaurar os verdadeiros valores da páscoa em suas famílias de forma que não sejam fundamentalistas e legalistas, mas fundamentadas na palavra enquanto demonstram amor pelos de fora.

    Em primeiro lugar, é bom saber que não estamos aqui para agradar ao mundo, mas para amar pessoas. Ou seja, viver os valores de Deus sempre será ofensivo ao mundo, pois o evangelho é loucura para os que se perdem. Ainda assim, o amor redentor de Deus atrairá homens e mulheres para a salvação, por meio do evangelho.

    Em segundo lugar, não precisamos ficar apenas combatendo o que está errado. Nosso papel é ensinar a verdade. Ensine intensamente a verdade e mesmo que as coisas falsam apareçam, elas não terão vez.

    Quero dizer com isso que ao invés de apenas falar aos seus filhos que coelho não bota ovo, e que ovo de chocolate não tem nada a ver com a Páscoa, ensine dia a após dia sobre a obra redentora de Cristo. Ensine o que a Páscoa verdadeiramente é. Sei que muitos querem simplificar a questão e apenas saber se dar ovo de chocolate é pecado ou não, mas quero ir além e perguntar qual simbolismo você como cristão deseja estabelecer na Páscoa e como fará isso de forma mais efetiva? Se não tem certeza, peça ajuda ao Espírito Santo e leia mais a Palavra.

    Nesse contexto, importante citar que precisaremos de muita sabedoria de Deus perante familiares e amigos que não conhecem a Bíblia e presentearão nossos filhos ou até nós mesmos na melhor das intenções (Nessa hora imagino radicais jogando os ovos de chocolate que custaram um rim no lixo na frente de quem presenteou).

    Mas uma coisa é ganharmos algo presenteado com amor por quem não tem entendimento bíblico (por favor, não jogue fora os ovos como imaginei no exemplo anterior), já outra é pessoalmente sermos omissos ou propagadores de uma mentira sem ensinar a verdade. Sei que a Escola é outro lugar que exerce grande pressão sobre nossos filhos através de amigos e professores, mas você deve ser mais influente.

  1. Vivendo a Páscoa intensamente

    Até aqui você já deve ter percebido que Cristo tornou a Páscoa muito mais que uma festa no ano. Cristo tornou sua obra um momento a ser relembrando constantemente. De qualquer forma, esse período do ano pode ser experimentado de uma forma intencional e ainda mais significativa.

    Use a criatividade para fixar no seu coração e em sua família o sacrifício de Jesus ainda mais intensamente. Conte a história da libertação de Israel como pano de fundo para a obra de Jesus. Conte a paixão de Cristo, nunca esquecendo da ressurreição. Medite nessa parte da Palavra. Compartilhe com seus irmãos sobre a maravilhosa salvação que te alcançou. E não esqueça: A história da Páscoa ainda não terminou:

“Prestem atenção ao que eu lhes digo: não voltarei a beber vinho até aquele dia em que, com vocês, beberei vinho novo no reino de meu Pai”. Mateus 26:29

    Embora muitos se refiram a ceia antes da crucificação como a “última ceia”, nem mesmo Jesus a encarou assim. Na verdade foi a primeira ceia. Cristo tomou aquela ceia já com olhos na próxima, pois estaremos com ele no reino de Deus! Essa é a nossa esperança também.

Maranata!

Pr. Jeferson Jones Bernardes Filho

Compartilhe em suas redes sociais

Endereço

R. XV de Novembro, 4698 – Vila Nova – Joinville/SC

Entre em Contato

Envie um WhatsApp!

(47) 3028-2129

secretaria@igrejadosfilhos.com.br

Política de privacidade

Formulário de Direito dos Titulares

Siga-nos

Prover ® 2021. Todos os direitos reservados.